segunda-feira, 24 de julho, 2017

TLP deve criar novas fontes para crédito de longo prazo

Se confirmada a polêmica mudança na metodologia de cálculo dos juros praticados pelo Bndes, a resposta do mercado de financiamento de longo prazo deverá ser a busca por novas fontes, inclusive internacionais. É o que esperam os dois principais repassadores do banco federal no Estado, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Badesul, que também afirmam ainda aguardar uma definição mais clara sobre a substituição da atual Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela nova Taxa de Longo Prazo (TLP), prevista para 2018. Criada em abril por meio de medida provisória, a TLP institui uma taxa de juros aos financiamentos via Bndes mais alinhada com os preços praticados pelo mercado. Isso porque, ao contrário da TJLP, que é definida trimestralmente a partir da meta de inflação e mais um prêmio de risco, a TLP usará outra base de cálculo. Pelas regras trazidas pela MP 777, a definição da taxa de juros passará a ser mensal e a depender da variação da inflação (IPCA), acrescida dos juros pagos pela União na venda das Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B), um dos principais produtos do Tesouro Direto. A ideia do governo é de que a TLP passe a balizar os empréstimos do Bndes a partir de 1 de janeiro de 2018, quando terá início um período de transição de cinco anos em que a nova metodologia será adotada gradativamente. O objetivo da União é diminuir os subsídios implícitos nos juros, desembolsos para cobrir a diferença entre o custo de captação dos recursos e o ganho com os empréstimos. Já as principais críticas ao projeto argumentam que juros mais altos desestimularão o investimento. "Talvez exista alguma retração, mas o que pode gerar também é uma maior competição entre outros bancos", argumenta a presidente do Badesul, Susana Kakuta, citando a possibilidade de criação de um mercado privado de financiamento de longo prazo, hoje quase exclusividade do Bndes. Para o Badesul, porém, assim como para todas as instituições de fomento, que não possuem outras fontes de renda, a situação pode ser complicada. "Quando você opera a taxas que já são as de mercado, quem está na ponta é quem mais sofre, porque a tendência é que o spread diminua, e isso mexe na rentabilidade", analisa. No caso do BRDE, mantido pelos três estados da região Sul, a intenção é depender cada vez menos do banco federal, projeto iniciado antes mesmo do anúncio da TLP. "Não temos como influir nessa questão, porque isso é política do governo federal. Ao BRDE não tem nenhuma conotação mais preocupante porque, de qualquer forma, terá que atuar dentro das regras do jogo", comenta o diretor-presidente do BRDE, Odacir Klein. O dirigente ressalta que o banco busca financiamentos estrangeiros e mesmo nacionais, que permitam ao BRDE maior autonomia de atuação. Susana também cita a diversificação de fontes como um objetivo do Badesul, embora, hoje, impraticável, pela falta de capacidade de tomar empréstimos do governo gaúcho, seu único controlador. Ambos os gestores elogiam, porém, o período de transição como forma de dar maior adaptabilidade à mudança. A própria baixa nos investimentos no País nos últimos anos, com a crise econômica, também acabaria, indiretamente, ajudando na absorção da nova metodologia. É isso também que deve evitar uma possível corrida aos empréstimos apenas pela modificação nas taxas, com exceção de empresas já com "intenção clara" de investimento, segundo Susana. Já Klein defende o argumento pelo lado da oferta. "Não ocorrerá corrida porque não se está estimulando, temos notoriamente uma diminuição de recursos pela via do Bndes", comenta o dirigente. Outro dos principais repassadores do Bndes no Estado, o Banrisul, procurado, se recusou a comentar.
Jornal do Comércio - 24/07/2017
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