quinta-feira, 17 de agosto, 2017

EUA, Canadá e México começam a renegociar revisão do Nafta

Os Estados Unidos, Canadá e México começam nesta quarta-feira (16) a renegociar o acordo que há 23 anos aboliu suas fronteiras alfandegárias, algo crucial para a economia mexicana, mas cujo futuro Donald Trump colocou em dúvida. A primeira rodada de negociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) vai até domingo, em Washington, passados meses de incertezas desde que o presidente americano prometeu dar fim ao acordo que inclui quase 500 milhões de pessoas. "Vamos fazer grandes mudanças, ou nos livramos do Nafta para sempre", reiterou Trump, que o considera "um completo desastre para os Estados Unidos". Washington questiona o déficit de sua balança comercial com o México, que desde a assinatura do acordo, em 1994, passou de um superávit de US$ 1,3 bilhão para um déficit de US$ 64 bilhões. Ele também critica a perda de vagas de trabalho qualificado por causa do fechamento de fábricas que preferiram se instalar no México para aproveitar a mão de obra barata local. "Muitos dos que perderam seus empregos encontraram outros, mas ganham cerca de 20% menos, enquanto no México os salários caíram 9% desde o Nafta. Por isso, os mexicanos não podem comprar bens americanos", disse à imprensa o congressista democrata Tim Ryan. Um funcionário do Departamento americano do Comércio garantiu que a meta da revisão é beneficiar os três países. "Nosso ponto de partida para a negociação é alcançar um acordo comercial mais equilibrado e recíproco", afirmou ele, que não quis se identificar. O Canadá quer que a proteção ao meio ambiente esteja no centro dos debates e anunciou que vai buscar normas sobre direitos dos povos autônomos e a proteção da força de trabalho. "Muitos trabalhadores se sentem abandonados pela economia mundial do século 21", afirmou a ministra canadense das Relações Exteriores, Chrystia Freeland. 'Ovos mexidos' Já o México chega à mesa de negociações de olho em "preservar e fortalecer" o alcançado, disse o secretário de Economia, Ildefonso Guajardo, que encabeça a delegação negociadora. O Nafta é crucial para o México, que multiplicou por seis seu comércio com os Estados Unidos, país para o qual envia 80% de suas exportações, especialmente bens manufaturados e produtos agrícolas. Com sua revisão, o México "confirma um processo de crescimento e de consolidação na América do Norte que foi muito rentável", destacou Guajardo há alguns dias ao Grupo Reforma. "México e Estados Unidos são como um ovo mexido: já não dá para separar a clara da gema", destacou em um painel Duncan Wood, diretor do Instituto de México, do "think tank" Wilson Center, citando um empresário mexicano que resumiu assim a interdependência das duas economias. O risco de que os Estados Unidos abandonem o Nafta é real, lembrou o diretor emérito do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE), Fred Bergsten. "O fracasso é uma opção. Não gostamos de dizer isso. Não gostamos de pensar nisso, mas é verdade. E isso significa que é muito importante para (Canadá e México) manter em mente como seria caro para os Estados Unidos". Regular as disputas A revisão do mecanismo de regulação de controvérsias comerciais, conhecido como o "Capítulo 19", que permite julgar disputas relativos a dumping, será outro tema espinhoso. Favorável ao Canadá, em particular no setor da madeira de construção, é ressentido pelos Estados Unidos, que vão tentar suprimi-lo. Já o México aprovou no mês passado uma resolução para que seus negociadores resistam a qualquer eliminação possível. "Quando o Nafta foi negociado, de alguma maneira o mecanismo de disputas foi a melhor abordagem que conseguiram alcançar, mas, talvez, haja novas disposições e elementos que possam ser agregados ao Nafta 2.0", opinou o ex-subsecretário mexicano de Comércio Exterior Francisco de Rosenzweig. Destinada a modernizar o acordo firmado antes da era da Internet, a revisão do Nafta não tem data para acabar, mas todas as partes preveem de sete a nove rodadas de negociações e esperam ter tido sucesso antes das eleições gerais e parlamentares do México, em julho de 2018, e das legislativas dos Estados Unidos, em novembro de 2018. Ambas as disputas eleitorais podem atrapalhar os debates. A segunda reunião será na Cidade do México em 5 de setembro, e a terceira, no Canadá, em data ainda não anunciada.
AFP - 16/08/2017
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