quarta-feira, 06 de setembro, 2017

Safra de reajustes nos preços anima siderurgia

Uma safra de reajustes quase periódicos para acompanhar o preço internacional, aliada à melhora na perspectiva de demanda por aço no país e balanços mais fortes criaram um cenário bastante benéfico para as siderúrgicas nacionais. Os investidores já estão incluindo em suas contas esse cenário positivo - e isso tem levado a uma disparada das ações nos últimos meses.O setor vivencia alta na bolsa em bloco, mas o destaque é, de longe, a Usiminas. Os papéis preferenciais classe A da empresa acumulam a maior alta do Ibovespa - principal índice da B3 - em um mês, neste ano e em 12 meses. Nos últimos 60 dias, os ganhos foram de 75,6%, a R$ 8,20 - esse valor não era visto desde setembro de 2014. A siderúrgica mineira é bem vista tanto pelos fundamentos do setor como por processos internos. Na semana passada, encerrou um processo de reestruturação financeira de quase um ano, ao obter a dispensa para uma oferta de troca de bônus. Nesse meio tempo, recebeu R$ 1,7 bilhão - de aumento de capital e caixa da Mineração Usiminas (Musa) - e alongou suas dívidas por 10 anos, sendo três anos de carência para pagar só os juros.Na mesma onda, as ações da sua maior concorrente, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), avançam 31,2% em dois meses, para R$ 9,46. A valorização também é relevante, mas esse patamar de preço já havia sido alcançado antes, em março. Já os papéis preferenciais da Gerdau sobem 24,8%, para R$ 12,91, também a maior alta desde março.A perspectiva para o setor não era tão otimista desde 2013. Foi quando o consumo de aço bateu recorde histórico no Brasil. Os aumentos de preço chegam, dependendo do produto, a 25% no ano e, para vigorar no início de 2018, as empresa já iniciaram a negociação - a mais dura do setor - dos contratos anuais de vendas diretas às montadoras. De saída, pedem reajuste mínimo de 20%.Decidir aplicar reajuste ou não passa pela análise das usinas do preço internacional e da demanda interna, além da disponibilidade de os clientes recorrerem à importação. Os dois primeiros fatores favorecem o ambiente de formação de preço no Brasil, enquanto o terceiro, que já foi mais difícil na primeira metade do ano, parece ter se normalizado.As fabricantes de aços planos praticaram de duas a três rodadas de aumentos desde julho. Em aços longos, no máximo duas. Isso foi possível, em grande parte, devido à valorização dos produtos lá fora. Especialmente na China, os preços da bobina a quente e do vergalhão - referências para o restante do mix de produtos - vêm subindo há meses, mais de 30% nos mercados futuros.Em aço plano, especificamente, o J.P. Morgan calcula que após os últimos reajustes no Brasil, o prêmio do produto nacional frente ao estrangeiro encontre-se em, no máximo, 10%. Esse ainda é um nível considerado saudável para não estimular a entrada de importados. Nas contas de Carlos Loureiro, do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), o prêmio gira em torno dos 5%.Isso ajudou na disparada das ações das empresas desde que começaram os anúncios de aumento. A última vez que a valorização em bolsa tinha sido tão forte para um período de dois meses foi no ano passado, quando as siderúrgicas escaparam do pior valor de mercado da década. Antes disso, Usiminas só subiu mais de 75% em 2012 e a CSN só teve alta maior que 30% em 2015. Já na Gerdau não se via índice acima de 24% desde 2013. Outro ponto positivo é a demanda interna. As vendas começaram a se recuperar e apresentam aumento em comparação anual nos últimos meses. Dados do Instituto Aço Brasil mostram que o consumo aparente de aço no país subiu 9,1% em julho sobre o mesmo mês de 2016, para 1,64 milhão de toneladas.Em relatório, o BTG Pactual lembra que daqui para frente as fabricantes de aço podem também ganhar com alavancagem operacional. Ociosidade das usinas atingiu 40% no pior momento da crise - atualmente, ainda se encontra na média de 35% - e o crescimento de vendas pode ser rápido se essa capacidade ociosa começar a voltar à atividade.Por enquanto, o índice é um peso nos resultados, mas a volta dos altos-fornos requer investimentos baixos para capturar a recuperação do mercado. O relatório do BTG ajuda no otimismo dos investidores, já que elegeu o setor siderúrgico - nos últimos anos visto como de alto risco e sem horizonte de melhora substancial - o preferido para se aplicar em ações em relação ao de mineração.No lado dos reajustes, pode ser que o gás tenha acabado. A própria China Iron & Steel Association (Cisa) comentou que não vê muito espaço para aumentos no país.Mas para o banco de investimento Macquarie, a tendência parece outra. No quarto trimestre, a instituição projeta US$ 576 por tonelada para a bobina a quente, ante aproximadamente US$ 600 no momento - quase estabilidade.
Infomet – 05/09/2017
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