quarta-feira, 17 de janeiro, 2018

Produção de calçados sobe 3% e deve ao menos repetir resultado em 2018

O setor calçadista espera ao menos repetir o ritmo de crescimento da produção observado em 2017, de 3%, para este ano, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. “Já ocorreu uma leve inflexão da curva [de produção], com um crescimento em 2017. Isso nos anima para que em 2018 possamos ter uma expansão mais expressiva”, afirmou Klein, nesta terça-feira (16), em entrevista a jornalistas na Couromoda. O executivo destacou que, diante do elevado número de feriados e de eventos como as eleições e a Copa do Mundo, que podem prejudicar a demanda por calçados e, consequentemente, da produção, é preciso “adotar uma certa cautela” em relação à recuperação do setor. Para ele, é possível ainda que ocorra ao longo de 2018 uma alta das importações, pelo possível aumento da demanda por bens de consumo. “Hoje, a taxa de câmbio está mais favorável às importações. Pela estrutura de custos que temos, do lado de fora das fábricas, o câmbio ideal seria de R$ 3,45”, completou. Os resultados consolidados serão divulgados entre março e abril, mas Klein projeta que o faturamento de 2017 fique “igual ou pouco abaixo” do registrado um ano antes. Os dados do setor apontam que a produção física, em 2016, totalizou 954 milhões de pares, o que significou uma alta de 1,3% sobre 2015. Esse montante coloca o Brasil como o quarto maior produtor global de sapatos, atrás apenas da China, Índia e Vietnã. Exportação No lado das exportações, os embarques no ano passado somaram 127,13 milhões de pares, resultando numa receita de US$ 1,09 bilhão, desempenho 9,3% superior ao reportado em 2016 – o melhor desde 2013, quando totalizou US$ 1,095 bilhão. Em termos de volumes, porém, houve alta de 1,2%. Segundo a Abicalçados, o crescimento num ritmo superior aos valores exportados se explica pela variação do preço médio do calçado, que subiu quase US$ 2 no período. Klein destacou que, embora o Brasil tenha elevado de 100 para 150 o total de países compradores nos últimos anos, as vendas caíram, pois já chegaram a US$ 2 bilhões. “Temos uma obrigação de tentar retomar os volumes conquistados no passado. Nossos produtos têm receptividade no mercado internacional, existe demanda, mas estamos sendo incompetentes em alcançar esses mercados”, disse, em referência aos problemas estruturais que prejudicam as exportações do setor, como logística, carga tributária, custos trabalhistas e excesso de regulamentação. Do total da produção local, cerca de 10% a 12% são destinados ao mercado externo, ante 25% do que já atingiu no passado. “Queremos atender bem a demanda doméstica, mas buscamos também ampliar nossa presença no exterior, em mercados onde já atuamos”, disse. Segundo o dirigente, o nível de ociosidade da indústria deve ter encerrado 2017 entre 18% e 22%, representando um “leve declínio” frente um ano antes. Varejo Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos (Ablac), Marcone Tavares, o faturamento no comércio calçadista subiu 4,9% no ano passado, mesmo com uma queda de 8,7% no volume comercializado. Isso foi resultado, disse ele, do aumento de 12,7% do valor médio dos pares de calçados vendidos no varejo. “Houve uma queda no fluxo de clientes, mas observamos uma característica em 2017: o consumidor entrou nas lojas mais decidido, consciente do que precisava comprar, gerando uma menor compra por impulso”, afirma. Sobre 2018, a projeção da Ablac é de um faturamento 3% maior, porém caso as “reformas” no Congresso avancem, este patamar pode ser maior. Na Invoice Calçados, que atua com a linha social e casual feminina com salto, a expectativa é de uma expansão de até 10% em 2018. Segundo o gerente comercial da empresa, Aderson Lara, no ano passado a produção já havia crescido 8%. “Tivemos um final de ano muito bom, em novembro e dezembro, no comércio de sapatos. Isso sinaliza um bom resultado em 2018”, diz.
DCI - 17/01/2018
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