quinta-feira, 01 de fevereiro, 2018

Demanda em alta deve garantir ganho de margem à embalagem

Diante dos indícios de retomada da atividade econômica este ano, o setor de embalagens se prepara para um aumento da demanda. A expectativa é que o crescimento das encomendas possa garantir, inclusive, uma recomposição de margens aos fabricantes. Nos últimos quatro anos, os segmentos de embalagens sofreram as consequências da recessão econômica, gerando retrações da produção em todos os seus ramos. “Estamos numa vertente de recuperação, com as perspectivas muito positivas para 2018”, diz a diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino. A avaliação dela é de que o setor acompanhe a dinâmica positiva apresentada desde o final do ano passado pelo varejo, garantindo uma “retomada efetiva”, mesmo com os desafios políticos às vésperas da eleição presidencial. Segundo ela, a melhora do emprego e o retorno da confiança do consumidor vão determinar o ritmo de progressão do setor em 2018. “Somos menos impactados pelo aumento da concessão de crédito e mais pela expansão da renda, já que 70% das nossas embalagens se destinam a produtos não duráveis, como alimentos, cosméticos, fármacos e limpeza”, diz. Conforme o economista e sócio da consultoria MacroSector, Fabio Silveira, este ano deverá marcar uma retomada da atividade econômica, com aumento dos volume e dos preços à indústria de embalagens. “Não será uma elevação de preços via custo de produção, que deve permanecer relativamente estável. Pode haver alguma alta pontual, por causa do petróleo, mas nada acentuado. O reajuste da indústria vai se dar pela alta da demanda [por embalagens]”, afirmou o economista. Silveira acrescenta que esse incremento da procura por embalagens possibilitará ainda às indústrias um espaço para recomposição de margens. “Após três anos, as empresas tentarão elevar sua margem de lucro. Não vai ser uma grande melhoria, porque não há uma recuperação explosiva da demanda, porém vai garantir uma melhora da rentabilidade”, reforça. Mesmo lenta, a retomada observada desde o ano passado já apresenta resultados. Em setembro de 2017, pela primeira vez desde outubro de 2013, a Abre registrou em seu balanço dois meses consecutivos de alta da produção. Entre janeiro e setembro, os volumes produzidos cresceram 0,27% sobre os nove primeiros meses de 2016. Diante deste resultado, a associação já projeta um crescimento de 0,6% para o setor em 2017, ante estimativa anterior, que era de 0,1% (número estimado até o mês de junho). Enquanto no primeiro semestre do ano passado houve queda de 0,65%, na segunda metade de 2017 a expansão chegou a 1,9%. Segmentos Entre os principais segmentos da indústria de embalagens se destacam o de materiais plásticos, com cerca de 39% do faturamento do setor que, de forma consolidada, atingiu R$ 70,4 bilhões em 2017, segundo estimativa da Abre. Em seguida, aparecem embalagens metálicas, com 18,1% de representatividade, seguido por papelão ondulado (17,3%), cartolina e papelão (11,5%), papel (5,1%) e vidro (4,4%). A executiva da Abre revela que, em 2018, os segmentos ligados às embalagens metálicas, como aquelas usadas em bebidas, devem ganhar impulso, junto com as relacionadas ao de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos – especialmente vidros – e fármacos, pelo papel cartão. Em relação aos plásticos, Luciana evitou fazer previsões, já que é uma área muito pulverizada. “Nesse caso, há uma dinâmica muito particular para cada produto.” Ontem, a Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) divulgou que as vendas de papelão ondulado utilizados em embalagens – caixas, acessórios e chapas – subiram 3,91% em dezembro na comparação com igual mês de 2016, com dois dias úteis a menos, para 275,953 mil toneladas. Dessa forma, o volume expedido encerrou 2017 com avanço de 4,92% ante 2016, totalizando 3,501 milhões de toneladas. Para a presidente executiva da Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), Thaís Fagury, o volume de aço utilizado no Brasil para embalagens deverá somar, esse ano, cerca de 400 mil toneladas, ante 380 mil toneladas em 2017 e 378 mil toneladas de 2016. Segundo ela, o segmento de latas para alimentação apresentou um desempenho mais estável durante os piores momentos da recessão econômica. No entanto, se percebeu nesse período um grande processo de migração de tipos de embalagens. Ela cita como exemplo os molhos prontos, em que cerca de 90% do mercado migrou para flexível. “Os molhos em lata ficaram concentrados nos produtos premium. Isso ocorreu pela busca por menores preços das embalagens”, explica. Segundo Thaís, enquanto as latas destinadas a itens como leite em pó, conservas de milho e ervilha ou para frutas em conserva tiveram sua produção praticamente estável no ano passado (com uma expansão inferior a 2%); se destacou o aumento de 5% das embalagens destinadas para atum. Em relação aos custos, ela minimizou o impacto dos recentes reajustes de preços anunciados pelas usinas no Brasil, reforçando que os repasses deste insumo devem afetar mais outras indústrias, como a de automóvel.
DCI - 01/02/2018
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