segunda-feira, 19 de fevereiro, 2018

Produção de coco quase desaparece no sertão da Paraíba

O sertão da Paraíba já foi um grande produtor de coco, mas os tempos de fartura ficaram para trás por causa da longa estiagem. A realidade hoje é de dar pena. Sousa, no sertão da Paraíba, já foi a maior produtora de coco do estado. Além de abastecer o Nordeste, também era vendido para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. No auge da produção, o município teve 1,2 mil hectares de área dominados pelos coqueirais. Quinhentos agricultores sobreviviam com a atividade. A região já produziu mais de 120 mil cocos por dia. Depois da estiagem, a área plantada caiu 95%. E esse é o cenário encontrado na maioria das propriedades. Seis anos consecutivos de seca transformaram o município, que vendia para outras regiões, em um comprador do fruto. O vendedor Raimundo Bezerra da Silva foi produtor. Viajava para Brasília levando o coco de Sousa. Hoje, traz o produto da Bahia e vende a água em um pequeno quiosque no centro da cidade. "Eu acredito que não vai vir inverno mais do jeito que vinha antigamente. Eu não tenho mais fé de plantar mais coco para daqui a cinco anos chegar a produzir", afirma. No campo, famílias sofrem com a ausência dos parentes que precisaram partir para outras regiões em busca de emprego. “Quando eles saem, muitas vezes eu fico chorando. É muito triste. E ainda fico preocupado, porque esses que foram pra lá se deram bem, mas os que estão aqui estão sofrendo", diz emocionado o agricultor Raimundo Gonçalves Sobrinho. A queda na produção também afetou as empresas locais. A fábrica do empresário Francisco Ailton Mendes produz óleo, leite, manteiga e o coco ralado: “Toda a produção era comprada aqui em Sousa. Hoje, a gente compra toda essa produção fora em vários estados do Nordeste. Custa caro pra gente”. Não há boas perspectivas. Mesmo que as chuvas voltem a aparecer, os produtores vão ter que esperar vários anos para voltar a colher. “A partir dos três anos, uma planta vai produzir, em média, 30 cocos. E aí vai se levar até sete anos para ela estabilizar. E vai estabilizar a produção aos sete anos, com 150 cocos por planta", explica José Marques Furtado, agrônomo da Emater. Enquanto uns trazem a solução em caminhões de outros estados, o agricultor Raimundo Gonçalves ainda espera pela chuva: “Eu comparava aqui com um paraíso, melhor que isso aqui só era o céu naquela época”. A previsão do tempo para o Sertão Paraibano é de chuvas abaixo da média para os próximos três meses, segundo o relatório de um grupo que reúne vários institutos oficiais que lidam com estudos climáticos.
Globo Rural - 18/02/2018
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