quarta-feira, 21 de fevereiro, 2018

Tarifa sobre o aço nos EUA deve afetar o setor no Brasil

Caso o governo norte-americano opte mesmo pela imposição de tarifas e cotas para limitar as importações de aços e alumínio, em nome da “segurança nacional”, as exportações brasileiras poderão ser fortemente afetadas. Representantes do setor alegam que mesmo que o volume embarcado para os Estados Unidos não passe dos 5%, o mercado é estratégico para a siderurgia nacional. Procurada para comentar o assunto, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) informou que por se tratar de um tema de tamanha natureza, deixaria os comentários por conta do Instituto Aço Brasil (IABr), que representa o setor. A companhia informou ainda que seus embarques para os Estados Unidos somaram menos de 1% do que a produtora de aços planos vendeu no ano passado para o exterior, que totalizou US$ 584 mil toneladas. Neste sentido, o IABr está se organizando para mandar uma comitiva com membros da indústria siderúrgica nacional para Washington na próxima semana. O objetivo é negociar com membros da Casa Branca e parlamentares a exclusão do País de possíveis medidas restritivas. Dentre as opções do presidente Donald Trump quanto ao assunto, há alternativas como colocar um imposto de 53% sobre importações de aço proveniente de um grupo de 12 países, que inclui o Brasil. Também constam na lista China, Costa Rica, Egito, Índia, Malásia, Coreia do Sul, Rússia, África do Sul, Tailândia, Turquia e Vietnã. A outra sugere uma tarifa de 24% sobre as importações de aço de todos os países. A preocupação da Nippon Steel & Sumitomo Metal Corp (NSSMC) é um pouco maior. Além dos impactos para as exportações da Usiminas, da qual é uma das sócias majoritárias, ao lado da Ternium Techint, a maior siderúrgica do Japão teme que as possíveis medidas protecionistas dos EUA inundem a Ásia com produtos e que a recente valorização do iene possa prejudicar seus clientes, como as montadoras. “As recomendações que constam deste relatório são lamentáveis. As importações de aço do Japão e do Brasil são parte integrante da economia dos EUA e não ameaçam a segurança nacional do país. As recomendações no relatório para que o presidente tome medidas de limitar o nível das importações de produtos siderúrgicos violam os princípios do livre comércio, que constituem a base sobre a qual a economia global se desenvolveu e prosperou”, disse, por meio de nota, o diretor para as Américas da NSSMC, Kazuhiro Egawa. Segundo ele, sem uma adesão estrita a esses princípios, a perspectiva de crescimento futuro é incerta. “Esperamos que o presidente Trump faça um julgamento preciso e deliberado sobre as recomendações do relatório”, completou. JFE - A concorrente da Nippon Steel, JFE Holdings Inc., expressou temores semelhantes sobre possíveis medidas comerciais norte-americanas. “Qualquer ação dos EUA pode desencadear retaliação por outros países. O que é mais problemático é ver o mundo em direção ao protecionismo”, disse o presidente da JFE, Eiji Hayashida. Sakae disse que a indústria siderúrgica do Japão pedirá a Tóquio que informe Washington de que “nos opomos a essas medidas pois nós apoiamos o livre comércio”. As siderúrgicas japonesas estão desfrutando das melhores condições de mercado em pelo menos três anos. Os preços do aço aumentaram com o crescimento da produção das montadoras, ao mesmo tempo em que as obras para as Olimpíadas de Tóquio 2020 estão a todo o vapor.
Infomet - 21/02/2018
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