quinta-feira, 15 de março, 2018

Chocolaterias adaptam menu para atender todos os bolsos

Com um foco maior em volume do que tíquete médio, as lojas especializadas em chocolates esperam crescer ao menos 10% em 2018 nas vendas de Páscoa. Para elas, diversificação de produtos, opções presenteáveis e com maior custo-benefício são a grande aposta para alavancar seus resultados no período. “A retomada econômica não é acelerada e ainda estamos no início. Acredito que as empresas farão sua proposta de crescimento, mas sem investimentos muito altos”, diz a diretora executiva do Grupo Bittencourt, Lyana Bittencourt. A cautela da executiva, leva em consideração a grande queda na produção de chocolate nos últimos anos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), em 2017, a produção atingiu queda de 38%, ante o volume da Páscoa de 2016. Mesmo que as projeções mostrem sinais de recuperação, a velocidade será lenta. Um exemplo são as contratações temporárias para a produção que foram 5,9% menores que no ano passado. A queda, no entanto, foi menor que a observada em 2017, de 15%. “Por isso embalagens presenteáveis a um menor custo de venda devem continuar sendo estratégia”, colocou Bittencourt. Na Ofner, o diretor industrial, Alexandre Martins, comenta que a projeção para a Páscoa é de crescimento superior a 20%. Contudo, ele apontou que os reajustes dos produtos para Páscoa deverão variar de 0% a 3%. Segundo ele, a estratégia se dá em resposta não apenas a uma adaptação do bolso do consumidor, mas também ao aumento de concorrência e à mudança de perfil do cliente, cada vez mais informado e exigente ao preço. “Ele compara quantas barras valem um ovo”, exemplifica. A Cacau Show e o Grupo CRM – que detém as marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau – também adotaram a tática. “Não acreditamos no aumento do tíquete, mas no aumento de volume”, disse o vice-presidente de marketing e vendas da Cacau Show, Élio França e Silva. A empresa teve alta de 14% nas vendas de Páscoa de 2017 e para este ano espera crescer 20%. “Estamos com uma linha bastante ampla que vai de R$ 7,99 a R$ 64,90.” No Grupo CRM – que realizou uma produção de chocolates 20% maior –, alguns produtos também irão manter as tabelas. “Vamos olhar para todos os tipos de bolso e consumo nas duas marcas”, disse a diretora de marketing do grupo, Maricy Porto. Na Kopenhagen, por exemplo, a diversificação passa por produtos de maior tíquete como o Ovo Pandora que traz um “brinde” da marca homônima de jóias até produtos acessíveis. Neste ano, a marca lançou cinco produtos da linha Keep Kop em uma embalagem mais funcional e de menor desembolso (R$ 19,90). Ainda na tática de diversificar, a marca também espera um aumento de vendas com a consolidação de seus produtos infantis. “Até outubro não tínhamos a linha a não ser em épocas sazonais”, contou Maricy. Segundo ela, a busca por produtos de maior qualidade e composição nutritiva não ocorre apenas nos produtos para adultos. “Essa preocupação com o rótulo, de ver o que faz bem, gera uma competição mais justa para quem faz produto com qualidade. Quando a comparação é preço, quem coloca mais açúcar leva vantagem”, diz Martins da Ofner. Todas as marcas entrevistadas afirmaram que têm aumentado o número de produtos com apelo de saudabilidade e os que atendam consumidores com restrição alimentar. Segundo eles, a procura por estas linhas tem crescido de forma acelerada. Lyana, do Grupo Bittencourt, também acredita que em 2018 haverá um aumento considerável no número de produtos que utilizem estratégias de co-branding e licenciamentos, como uma forma de ampliar a base de clientes e acompanhar a mudança no perfil do jovem. “Devemos ver isso não apenas em produtos de maior valor como também nos mainstream”, diz. Na Cacau Show, a linha de brindes não será apenas para crianças, mas também para adultos. Outras tendências citadas por ela é o investimento de experiências no ponto de venda e a ampliação dos canais de distribuição. Na Ofner, Martins contou que os canais diferenciados representam 20% das vendas na Páscoa, valor incomparável aos 80% das lojas físicas. Contudo, esses meios crescem rapidamente. Em 2017 representavam 14%. Os canais são: espaços temporários em shopping centers, vendas in company, trucks e vendas diretas [e-commerce lançado no ano passado e televendas]. “Em 2017 eram 10 espaços temporários e agora são 12”, afirmou Martins. Ao todo, a companhia irá aumentar em 15% o número de trabalhadores temporários. Também com investimento nas vendas on-line e diversificação de preços, a Cau Chocolates espera alta de 30% nas vendas de Páscoa, segundo a porta-voz da marca, Nathalia Souza.
DCI - 14/03/2018
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