terça-feira, 03 de abril, 2018

China quase monopoliza produção mundial de cobalto

O nome do cobalto origina-se de um personagem da mitologia alemã, o duende Kobold, que durante séculos enganou os garimpeiros trocando o cobalto das jazidas por um minério que era apenas cascalho. Hoje, a demanda de cobalto, um metal usado em aços, cerâmicas, catalisadores etc., está aumentando devido ao mercado crescente de baterias para veículos elétricos, que usam cerca de 10 kg de cobalto em sua fabricação. A República Democrática do Congo, um país com uma grande instabilidade política, concentra mais da metade das reservas e da produção de cobalto do mundo. A China produz quatro quintos dos sulfatos e óxidos de cobalto usados ​​na fabricação dos cátodos para baterias de íons de lítio. Os 20% restantes são produzidos ​​na Finlândia, mas a matéria-prima é proveniente de uma mina no Congo, de propriedade da empresa chinesa China Molibdenum. Em 14 de março, as preocupações com o crescente monopólio da China na produção de cobalto no Congo aumentaram quando a GEM, fabricante chinesa de baterias, anunciou a compra de um terço da produção de cobalto da multinacional Glencore, a maior produtora de commodities de minérios do mundo, no período de 2018 a 2020, o equivalente a quase metade da produção mundial de 110 mil toneladas em 2017. Com isso, o preço médio do cobalto de US$ 26.500 por tonelada em 2016 aumentará para US$ 90.000. Na opinião de Sam Jaffe, da empresa de consultoria Cairn Energy Research Advisors, a China não tem a intenção de monopolizar ou manipular o mercado de cobalto com fins especulativos. As empresas chinesas, disse, têm uma “necessidade urgente” de ter estoques de cobalto para cumprir a meta ambiciosa da China de aumentar a produção de veículos elétricos. Outros têm uma visão mais crítica. Segundo George Heppel da empresa de consultoria CRU, além da compra da produção da Glencore pela GEM, a China Molibdenum, em vez de enviar o cobalto extraído de sua mina para a Finlândia, pode direcioná-lo para as empresas chinesas, que, assim, deterão 95% do mercado mundial de cobalto. “Muitos de nossos clientes são empresas de tecnologia sul-coreanas e japonesas e o monopólio da produção de sulfato de cobalto pela China é preocupante”. A demanda de cobalto pode aumentar ainda mais com a fabricação em larga escala de carros elétricos. De acordo com Heppel, o cobalto é, em grande parte, usado na fabricação de baterias para smartphones e nas superligas utilizadas em motores de avião. Seu uso em veículos elétricos pode aumentar a produção de 9 mil toneladas em 2017 para 107 mil em 2026. Como uma proteção à escassez do cobalto por causa da demanda da China, algumas empresas europeias e americanas estão usando o níquel na fabricação de baterias. Os materiais mais utilizados na fabricação de cátodos para baterias de veículos elétricos são uma combinação de níquel, manganês e cobalto (NMC) e de níquel, cobalto e alumínio (NCA). Em razão da elevação do preço do cobalto e da escassez dos suprimentos, alguns fabricantes de baterias produziram cátodos com um maior teor de níquel em proporção ao do cobalto. Embora o conteúdo maior de níquel prolongue o funcionamento da bateria com uma única carga, dificulta sua fabricação e a expõe ao risco de incêndios. Curiosamente, o preço do níquel manteve-se estável em relação ao do cobalto. Os chineses não se interessam em investir no mercado de níquel. De acordo com Oliver Ramsbottom da empresa de consultoria McKinsey, esse desinteresse das empresas chinesas é resultado do superciclo de commodities de 2000 a 2012, quando a Indonésia e as Filipinas aumentaram a produção do níquel classe II, um derivado do metal com um conteúdo entre 20% e 96% de níquel, e de ferro-gusa, um material mais barato para a fabricação do aço inoxidável. Em seguida, o excesso de capacidade produtiva e o acúmulo de estoques fez com que os preços do níquel caíssem de US$ 29 mil por tonelada em 2011 para menos de US$ 10 mil no ano passado. Até agora, a demanda por níquel classe I adequado à fabricação de baterias não aumentou sua produção de 35 mil toneladas no ano passado, de um total da produção de 2,1 milhões de toneladas. Mas, segundo a McKinsey, a produção de níquel deve aumentar para 550 mil toneladas em 2025. Em teoria, a maneira mais eficaz de garantir suprimentos suficientes de níquel e cobalto seria aumentar os preços para que a extração dos dois metais em conjunto fosse mais lucrativa. Porém, isso significaria um aumento no custo das baterias e, como resultado, veículos elétricos mais caros. Só um duende solucionaria esse impasse.
InfoMine - 03/04/2018
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