quinta-feira, 26 de abril, 2018

Fibria deve manter trajetória positiva com demanda global ainda fortalecida

A demanda global por celulose em alta e a oferta aquém do necessário devem continuar beneficiando a Fibria. A conjuntura permitiu que a empresa implementasse, com sucesso, um novo reajuste da matéria-prima do papel. “A oferta está muito apertada e, a demanda, aquecida. Os estoques estão baixos em todas as regiões”, declarou ontem o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, em teleconferência a jornalistas. No início do ano, a empresa anunciou aumento de preço da celulose para América do Norte, Europa e Ásia. O reajuste foi motivado pelo crescimento da produção de papel na China e o aquecimento da demanda global. “O mercado de celulose tem a demanda puxando a dinâmica internacional. A oferta diminuiu, o que ajuda a cotação do produto a subir”, explica o analista da Upside Investor, Shin Lai. O aumento de preços minimizou os efeitos sazonais do primeiro trimestre do ano, que costuma ter demanda mais baixa em função do Ano Novo chinês, que ocorre em fevereiro. A política de preços ainda foi beneficiada pela queda de fornecimento de celulose na Europa, onde o suprimento de madeira foi prejudicado pelo inverno. “A Europa tem uma boa demanda e vem apresentando crescimento econômico”, aponta Castelli. De acordo com a empresa, os estoques na China aumentaram momentaneamente, mas voltaram a cair logo após o feriado. “A demanda voltou a crescer rapidamente. Inclusive, soubemos que produtores canadenses começaram a produzir celulose de fibra longa para atender à demanda de papel cartão na China. É um momento de pressão de oferta e demanda”, disse o executivo. Apesar do momento favorável, a companhia ainda deve aguardar antes de decidir se implementará ou não um novo aumento de preços. “A demanda está boa, mas o momento é de acompanhamento.” Castelli acredita que eventuais medidas protecionistas em meio a um embate comercial entre China e Estados Unidos não vão afetar a indústria de celulose. “Nosso produto é mais ligado à matéria-prima. Normalmente, esse tipo de política está ligada a indústrias que tenham capacidade de abastecer o mercado doméstico”, acredita. Fusão com a Suzano Durante a coletiva, o presidente da Fibria não forneceu detalhes sobre a integração com a Suzano, limitando-se a afirmar que “as duas empresas seguem operando separadamente, com foco no que for melhor para seus investidores atuais.” Em março, as duas empresas anunciaram a fusão que, quando concretizada, irá resultar na maior produtora de celulose do mundo, somando 11 fábricas e capacidade produtiva de 11 milhões de toneladas de celulose. Castelli garantiu que o negócio não irá alterar o acordo de compra de celulose de fibra curta com a Klabin. “Não vislumbramos nenhuma mudança. A Klabin já manifestou que segue com olhar positivo, não há nenhuma perspectiva de ruptura.” O contrato vai até 2022 e tem cláusula de renovação mediante acordo das duas partes. “O acordo não envolve a celulose fluff (utilizada para a produção de fraldas e absorventes) e excluiu Brasil e América Latina”, explica Castelli. Balanço trimestral A Fibria apresentou os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2018 nesta quarta-feira (25), com lucro líquido de R$ 615 milhões no período, 87% superior a igual intervalo do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 1,824 bilhão de janeiro a março, o que representa um crescimento anual de 183%. A receita líquida dos três primeiros meses do ano foi de R$ 3,693 bilhões, alta de 78% sobre o trimestre inicial de 2017. “Foi um balanço extremamente positivo. A venda caiu em relação ao período anterior, mas os preços estão bastante robustos e permitiram um desempenho bem superior ao ano passado”, avalia Shin Lai. A produção de celulose foi de 1,588 milhão de toneladas, 32% maior que no mesmo período de 2017. As vendas cresceram 22% sobre a mesma base, totalizando 1,591 milhão de toneladas. “A empresa apresenta uma situação bem interessante, reduzindo a dívida líquida e se posicionando em patamar confortável em termos de grau de investimento”, destaca o analista da Upside.
DCI - 26/04/2018
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