quinta-feira, 12 de abril, 2018

Produtores de coco brasileiros pedem proteção do governo

Pela primeira vez, cerca de 40 produtores de coco de todo o Brasil se reuniram na semana passada com representantes do Ministério da Agricultura para exigir medidas para proteger a indústria nacional. "Sofremos da concorrência desleal dos mercados asiáticos. Algumas fábricas de água de coco compram água lá, produzida em condições sanitárias e trabalhistas duvidosas, e desidratam antes de importar", explicou à AFP Fernando Florence, vice-presidente do Sindicato Nacional de Produtores de Coco do Brasil (Sindcoco). "Uma vez no Brasil, eles reidratam com água, adicionam açúcar e vendem um néctar de coco. O resultado disso é que os consumidores pensam que estão bebendo água de coco 100% natural, o que não é o caso. As fábricas fazem uma concorrência com o resto da indústria nacional e pedem menos coco para os produtores nacionais", acrescenta. Os pequenos operadores representam 75% dos produtores brasileiros de coco. Em 2012, a marca brasileira Ducoco e a empresa americana PepsiCo, dona da marca líder do mercado, a Kero Coco, foram apontadas por importar sua matéria-prima da Ásia. As plantações asiáticas são dominadas por coqueiros-gigantes, usados para produzir cocos secos, que dão o óleo. A água dos coqueiros-gigantes é pouco consumida e seu preço é muito inferior ao da água de coco verde, de melhor qualidade. Os produtores brasileiros também dizem estar preocupados com doenças asiáticas nas plantações. Todos pensam na chamada "vassoura-de-bruxa", que atingiu duramente os cacaueiros do país e causou o declínio da produção nacional de cacau. Apesar da lista de encomendas repleta até 2020, Antonio Barbosa, diretor da Tecnococo, uma das duas empresas brasileiras produtoras de híbridos de semente de coco, cruzando entre coqueiros anões e gigantes, está preocupado. "Queremos importar pólen do coqueiro-gigante do México para fazer um coqueiro híbrido ainda mais resistente às pragas. Já achamos parceiros interessados porém, por enquanto, estamos bloqueados com a burocracia do Estado brasileiro".
G1 - 12/04/2018
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