terça-feira, 10 de abril, 2018

Segmento produtivo nacional de borracha busca alternativas para competir com o mercado asiático

O consumo de borracha natural passou por dificuldades em 2017 com a falta de matéria-prima ainda no primeiro semestre do ano. De acordo com a Associação dos Países Produtores de Borracha Natural (ANRPC), esta escassez gerou um déficit no fornecimento mundial na ordem de 648 mil toneladas no mês de julho. No entanto, mesmo diante destes entraves, o setor fechou o ano com uma sobra de 440 mil toneladas o que levou o estoque mundial para perto de 3 milhões de toneladas. Segundo Diogo Esperante, diretor executivo da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR), um dos fatores, atualmente, mais estratégicos para o setor é a concentração do consumo de borracha em países do sudoeste asiático, que buscaram exportar mais produtos industrializados e menos commodities. “Essa tendência precisa ser avaliada. A importação de matéria-prima é um fator importante para a elaboração dos planos estratégicos para a borracha natural em todo o mundo, principalmente no Brasil que apesar de ser um país produtor de borracha não é autossuficiente. É preciso estimular a produção em toda a América Latina para expandirmos e garantirmos o fornecimento do material”, comenta Esperante. Para driblar as dificuldades do segmento, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reuniu produtores de borracha para buscar alternativas em curto, médio e longo prazo, em prol do aumento da competitividade da borracha natural brasileira. De acordo com Walter Rezende, presidente da Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA, o Brasil produz 30% de borracha utilizada no país, enquanto os outros 70% são importados de países da Ásia. Com isso, há a necessidade que o governo federal crie medidas com a finalidade de equilibrar a competição entre o Brasil e esses países, no mercado interno. “Os esforços de todas as instituições ligadas produção de borracha natural é encontrar soluções que atendam produtores e indústria, já que os custos de produção, legislações ambientais e trabalhistas no Brasil são mais restritivas a produção. As ações propostas pelo setor visam a redução dos custos, aumento da produtividade e do valor agregado na produção. Precisamos gerar mais competitividade e ampliar a produção brasileira”, ressalta Walter.
SEGS - 10/04/2018
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