segunda-feira, 07 de maio, 2018

Aço brasileiro é sobretaxado nos Estados Unidos desde 1991

A tarifa de 25% imposta às importações de aço, anunciada pelo governo americano e que levou o setor siderúrgico nacional a aceitar uma cota que reduz suas exportações para aquele país, é apenas um dos ataques protecionistas dos Estados Unidos que atingiram as indústrias siderúrgicas do Brasil. Desde o início dos anos 1990, categorias importantes de aço são sobretaxadas pelos EUA, algumas com alíquotas que, somadas, superam 100% sobre o valor do produto, segundo estudo do Instituto Aço Brasil. — A economia tida como mais livre e mais aberta do mundo tem uma tradição de fechamento de seu mercado para o aço — afirma o presidente da entidade, Marco Polo Mello. Usado na fabricação de arames, porcas, parafusos e rebites, o fio máquina tem duas categorias de sobretaxas desde 2001. Na importação pelos EUA há alíquotas de 74,45% a 94,73% por prática de dumping, quando o produto entra em um país com preço artificial, abaixo do valor médio praticado no mercado interno. Outra faixa, de 2,31% a 7,74%, é uma medida compensatória a subsídios que o governo brasileiro teria concedido, direta ou indiretamente, à siderurgia. DUPLA PENALIDADE Laminados a frio e a quente também sofrem dupla penalidade desde 2015. Largamente usados por fabricantes de automóveis, embalagens e produtos de linha branca (geladeiras, máquinas de lavar e fogão, principalmente), os aços laminados a frio, ao entrarem no mercado americano, são sobretaxados em até 35,43% com tarifas antidumping, e em 11,09% a 11,31% com alíquotas compensatórias. Já os laminados a quente, comprados pelas indústrias naval e de máquinas e equipamentos, têm sobretaxas de até 35,43% (antidumping) e 11,30% (compensatórias). Resistentes a altas temperaturas e usadas, principalmente, pela indústria metalúrgica, as barras de aço inoxidável são tributadas, desde 1993, em até 19,43% por prática de dumping. Chapas grossas cortadas, presentes em diversos setores, como as indústrias naval, energética, de gás e óleo, são taxadas em 74,52%. SOBRAM MILHÕES DE TONELADAS Já os tubos com costura têm uma tarifa antidumping de 103,38%. São usados na condução de substâncias líquidas, gasosas e pastosas. Estão presentes em redes de água, esgoto e em equipamentos de combate a incêndio. Os produtos siderúrgicos estão sempre na mira do governo americano com medidas antidumping, cotas e salvaguardas, afirma Mello. Porém, lembra ele, o aço brasileiro não é o único que sofre ataques protecionistas. É um dos produtos mais tributados do mundo, alvo de um terço das ações de defesa comercial em vigor. A China lidera o ranking com 176 medidas, seguida por Coreia (67) e Taiwan (42). O Brasil está em 10º lugar, com 16 medidas. Estima-se que existam no mundo 780 milhões de toneladas de excedente de capacidade instalada de aço. Desse total, mais de 400 milhões estão na China. Não são apenas os siderúrgicos chineses que entrarão em menor quantidade nos EUA. Outros países também vão diminuir suas exportações para os americanos. O que sobrar terá de ir a outros mercados, incluindo o Brasil.
Infomet - 07/05/2018
Ver esta noticia em: english espanhol
Outras noticias
DATAMARK LTDA. © Copyright 1998-2018 ®All rights reserved.Av. Brig. Faria Lima,1993 3º andar 01452-001 São Paulo/SP