segunda-feira, 23 de julho, 2018

Mercado de rações segue desacelerado

O cenário econômico instável impede um crescimento mais pujante do mercado de rações. Impactados por aumentos de preços de matérias-primas e consumo baixo, os segmentos pet e de nutrição animal projetam um 2018 positivo, mas aquém do esperado no início deste ano.“Nosso planejamento foi agressivo, mas não está acontecendo dentro do esperado, especialmente pelos problemas trazidos pela greve dos caminhoneiros. O setor todo sentiu a bagunça que foi o final de maio”, afirma o diretor comercial da Guabi Nutrição e Saúde Animal, André Lit. O executivo aponta que a empresa investiu em 2017 para aumentar a capacidade produtiva e esperava alta do faturamento da ordem de 18% neste ano. “Estamos conseguindo crescer entre 12% e 14%. É um desempenho razoável, mas inferior ao esperado.” A empresa, especializada no desenvolvimento de rações para animais de produção, possui cinco unidades fabris no Brasil. Lit explica que o aumento do frete impactou os preços da soja e do milho, produtos utilizados na fabricação das rações. “O tabelamento causou aumento de 40% a 100% dos fretes, afetando toda a cadeia e o preço das rações tende a subir. Nosso negócio depende muito da matéria-prima e o consumidor final começa a perceber a inflação.” A Guabi tem entre seus principais mercados a alimentação para equinos, bovinos, aquacultura e criações caseiras (aves, caprinos, suínos, peixes e coelhos). “Cada um desses mercados tem um comportamento próprio”, destaca Lit. “O segmento de bovinos está indo bem, já a aquacultura tem mais dificuldade em crescer.” O presidente da Mars Petcare Brasil, José Carlos Rapacci, aponta que embora o setor siga crescendo, houve uma desaceleração. “O mercado pet não está imune à crise de consumo, continua sob pressão e muito dirigido por instabilidades e desafios inflacionários nas matérias-primas, perda de poder de compra de consumidores e oscilações econômicas, o que vai refletir em menores índices de crescimento para o mercado como um todo.” O grupo, detentor de marcas como Pedigree, Royal Canin e Whiskas, espera crescer acima do setor em 2018. “Os resultados estão dentro das expectativas, em um cenário econômico hostil que já incorporava muitas instabilidades para este ano. Porém, a isso somaram-se novos fatos inesperados como, por exemplo, a greve dos caminhoneiros, que impactou as operações”, avalia Rapacci. O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) previu no início do ano alta de 3% da produção, estimativa que pode mudar. Rapacci conta que em 2017 se observou uma migração de parte dos consumidores para produtos de menor valor. “Apesar dos desafios, a Mars fechou 2017 com um market share de 32%. Trata-se de um mercado com oportunidades.” O presidente da empresa aponta como uma das apostas é o desenvolvimento da alimentação úmida (sachês) e de petiscos. “Queremos mostrar que a alimentação úmida é uma refeição completa e balanceada, que oferece todos os nutrientes e balanço hídrico necessários aos animais de estimação. Também temos o desafio de expandir o conhecimento sobre os snacks e mostrar sua funcionalidade, como ajudar a reduzir a formação de tártaro em cães.” Ele relata que a Mars está investindo em uma nova unidade fabril, em Ponta Grossa (PR). “Já foram investidos cerca de R$ 165 milhões no projeto.” Em nota para a reportagem do DCI, a Nestlé Purina declarou que “2017 foi um ano bastante desafiador, mas ainda assim crescemos em volume e valor, possibilitando mais investimentos, como os mais de R$ 250 milhões que foram investidos na nova fábrica, que fica em Ribeirão Preto (SP). A perspectiva da companhia para 2018 é de crescimento, sendo esperado que o mercado cresça 3% em volume e 6% em valor.”Reaproveitamento A Agroforte, empresa de Santa Catarina, produz matéria-prima para a fabricação de rações através do reaproveitamento de resíduos de peixe. “Vimos uma oportunidade com a necessidade de enlatadoras de pescado da região de Itajaí, que tinham um grande volume de produção e necessidade de descarte ambientalmente correto”, conta o sócio da empresa, Edson Argenton. A empresa conta com duas plantas, nas cidades de Biguaçu e Laguna, e processa a parte do peixe descartado em farinha e óleo. “O óleo é vendido para fábricas de ração para gatos. A farinha tem um potencial proteico fantástico, é utilizado para a alimentação de cães, gatos e também peixes”, explica Argenton. Além do pet food, a empresa também vende insumos para a indústria química. De acordo com o executivo, o principal desafio na operação é a coleta. “A logística é complicada, é um insumo rapidamente perecível. O tempo de vida da matéria-prima é de 24 horas.” A empresa estima que os rejeitos são transformados em, aproximadamente, 1.600 toneladas de farinha e 315 toneladas de óleo por mês. A empresa planeja crescer pelo menos 25% nos próximos dois anos. “Nossa tecnologia de produção é importada, recentemente visitamos indústrias na Dinamarca e Alemanha, buscando melhoria de processos produtivos e ambientais”, revela Argenton. “Temos que operar dentro das regulamentações, desde a pesca ao produto final, para estarmos habilitados a exportar”, conta o executivo.
DCI - 23/07/2018
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