quinta-feira, 26 de julho, 2018

Siderúrgicas reduzem projeções para 2018 e temem invasão de importados

A indústria do aço reduziu pela metade suas projeções de crescimento da produção para 2018 em meio à desaceleração da economia e à greve dos caminhoneiros. Executivos temem também a inundação do produto chinês caso o patamar do dólar recue. Nesta quarta-feira (25), o Instituto Aço Brasil (IABr) divulgou previsão de crescimento de 4,3% da produção de aço bruto em 2018, para 35,8 milhões de toneladas. Em abril, a entidade havia projetado avanço de 8,6%. Segundo o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, há um excesso de capacidade de 550 milhões de toneladas no mundo, dos quais 280 milhões vêm só da China, e esse potencial pode ser desaguado no país que estiver com o mercado mais aberto. “Questionamos se o Brasil pode ser liberal em um mundo protecionista. As importações estão baixas agora [com o real depreciado], mas pode haver um surto se o câmbio mudar. O cenário está muito indefinido”, afirma.Para o vice-presidente do Conselho Diretor do IABr, Sergio Leite, é importante ter em mente que não são só os Estados Unidos adotaram políticas de salvaguarda para seus mercados, mas União Europeia, Marrocos, Turquia, Índia, Vietnã, Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas, África do Sul e Costa Rica estão indo na mesma direção.De janeiro a junho deste ano, as exportações de aço brasileiro caíram 5,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a 6,9 milhões de toneladas. Por outro lado, houve um aumento de 16% no valor total desses embarques em dólar, atingindo US$ 4,29 bilhões.Mello Lopes avalia que esse incremento foi causado pela valorização observada nos preços do aço no mercado global, uma consequência da política comercial do presidente norte-americano Donald Trump. Já os números de produção do aço bruto no País mostraram expansão de 9,9%, para 8,8 milhões de toneladas neste primeiro semestre. O presidente do IABr creditou esse crescimento à base fraca. “A base dos seis primeiros meses de 2017 é tremendamente deprimida, de modo que devemos relativizar este crescimento. O setor opera atualmente em 68,3% da capacidade, sendo que o ideal seria 80%”, comenta. Mello Lopes destaca que os principais mercados consumidores do aço no Brasil ainda registram queda em relação a 2013, recorde da indústria nacional. A construção civil, responsável por 38,1% do consumo aparente no País, está com retração de 29,7% na sua produção de janeiro a maio de 2018 na comparação com 2013. Mesmo o setor automotivo, que apresentou números fortes de crescimento até a greve dos caminhoneiros, ainda está 32,5% atrás de 2013 nos volumes do período.“A crise afetou todos os segmentos, com queda do [Produto Interno Bruto] PIB e aumento do custo Brasil. Construção civil, automotivo e máquinas e equipamentos já reduziram as suas projeções para este ano, então não vamos ter uma retomada como a esperada”, lamentou o presidente do IABr. Eleições Decepcionados com as políticas liberais da gestão atual, os executivos das do setor siderúrgico demonstraram muita expectativa em torno do cenário eleitoral para saber que tipo de viés econômico será adotado pelo próximo presidente do País. Sergio Leite e Lopes se disseram animados com o foco em melhorar o ambiente de negócios e combater o déficit fiscal apresentados pelos candidatos à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Pode). As resistências seriam a Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).Porém, com relação às políticas para proteger a indústria nacional, Lopes citou nominalmente Alckmin e Bolsonaro como aqueles em que o setor mais deposita expectativas. “O Alckmin tem preparo pelas gestões no governo de São Paulo e [apesar do] do apoio de economistas que defendem uma abertura como a atual, ele tem uma equipe preocupada com a correção das assimetrias. O Bolsonaro tem uma postura mais nacionalista, buscando a preservação do mercado interno.”
DCI - 26/07/2018
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