quarta-feira, 01 de agosto, 2018

Dólar e lentidão na construção pressionam indústria de tintas

Pressionados pela variação cambial, que eleva o custo da matéria-prima, e pela queda acentuada no ritmo da construção civil, os fabricantes de tintas precisaram diversificar e investir em inovação para voltar a ganhar mercado. “O 1° trimestre foi melhor que o planejado, trouxe certo otimismo, mas o mercado sentiu um pouco de redução na última metade do semestre. Os indicadores de confiança do consumidor refletem isso”, avalia o presidente da PPG Brasil, Marcio Grossman. A empresa atua nas áreas da pintura automotiva, arquitetônica, industrial, revestimentos e proteções para construções. “Temos seis unidades de negócios distintos, cada uma delas apresenta um desempenho particular. O automotivo está bem, mas pior que ano passado, por exemplo. Nosso foco é colocar produtos novos no mercado e elevar nossa participação”, afirma Grossman.Para o executivo, a valorização do dólar é o grande problema atual. “A nossa matéria-prima inflaciona. O impacto na margem tem sido importante, trabalhamos para minimizar esse efeito. Todo o mercado de tintas sofre com isso.” Grossman acredita que é necessário inovar e que períodos de crise estimulam esse tipo de iniciativa. “Quando se trabalha com capacidade máxima, é difícil fazer testes. Mas quando ocorre uma queda, é possível entrar com essas propostas e testar novas tecnologias.”A PPG tem apostado em produtos e processos que tragam eficiência para fabricantes automotivos. “Nosso sistema de pintura elimina um processo de secagem e traz um benefício produtivo para a montadora. Também temos uma linha de tintas a base de água, que emitem menos gases tóxicos e atendem à legislação trabalhista. Mostramos ao cliente que isso traz valor agregado”, afirma Marcio Grossman.O gerente de negócios da AkzoNobel América do Sul, Sergio Munhoz, avalia que a expectativa do setor era mais otimista ao final de 2017. “Acabou não se concretizando e a greve dos caminhoneiros esfriou um pouco mais. O varejo de tintas está sofrendo, se esperava um pouco melhor. O que sustenta a retomada é a exportação.” A fabricante de tintas e revestimentos tem diversificado seus negócios para ganhar mercado. “Estamos com maior foco na indústria moveleira, esperamos incremento de 5% a 10% no segmento madeira”, explana Munhoz. De acordo com o executivo, a empresa investiu em sua planta, em Santo André (SP), no ápice da crise econômica. “Temos um laboratório de desenvolvimento e investimos em máquinas olhando para o futuro. Nossa capacidade produtiva aumentou e a necessidade de mão-de-obra e de espaço físico diminuiu, trazendo mais competitividade e menos desperdício.” Munhoz afirma que isso permitiu uma readequação de funcionários. “Fizemos contratações no time de vendas e expandimos para outras regiões do Brasil.”O supervisor técnico comercial da Killing, Rangel Martins, destaca que a instabilidade tem dificultado o planejamento em 2018. “Traz receio para algumas negociações pelas possíveis variáveis: dólar, petróleo e política. Há um impacto de aumento de custos.”A fabricante conta com quatro plantas, localizadas em Novo Hamburgo (RS), Simões Filhos (BA), Curitiba (PR) e Buenos Aires (Argentina) e atua nos ramos de adesivos e tintas industriais e imobiliárias. “Está sendo um ano difícil, mas crescemos mais do quem em 2017, principalmente no setor moveleiro”, avalia Martins. Ele afirma que desde 2014, a empresa coloca em prática um planejamento estratégico de investir em novas tecnologias. “Buscamos reduzir custos nos processos de produção. É um mercado muito concorrido, as tecnologias tradicionais são commodities e por isso a inovação é fundamental”, destaca, garantindo que a empresa faz investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento. O gerente de marketing e comunicação da Montana Química, Michel Sentinelo, diz que a empresa tem obtido uma performance dentro do esperado. “Sentimos uma retomada e esperamos uma melhora no segundo semestre.” A companhia atua nas linhas decorativa, moveleira e industrial, com foco em superfícies de madeira. Sentinelo explica que o foco atual da companhia é oferecer soluções para profissionais. “Investimos em treinamentos e conteúdo, especialmente para o arquiteto. Defendemos o uso da madeira como elemento construtivo. É algo que pode se tornar uma tendência.”Construção e varejo Grossman nota uma melhora nos lançamentos imobiliários, mas, por só entrar na fase de acabamento, a tinta leva tempo para receber o impacto. “Percebemos uma movimentação, mas só vai nos trazer volume de negócios daqui um ano e meio.” O presidente da PPG Brasil também avalia que houve uma melhora no varejo desde o final do ano passado. “Em 2016 tinha sido muito ruim, esse ano tem perspectiva de crescimento na casa dos 10% nesse setor.” Ele avalia que a manutenção das casas acabou adiada durante a crise, represando o consumo. “Agora vemos uma retomada. O mercado brasileiro vem se recuperando, mas sofre com a matéria-prima e o dólar.”
DCI - 01/08/2018
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