terça-feira, 21 de agosto, 2018

Piscicultura brasileira espera crescer entre 10% e 12% com ajuda do câmbio

Se conseguir compensar a perda causada pela greve dos caminhoneiros, que prejudicou escoamento da produção e a entrega de rações, a piscicultura brasileira espera crescer entre 10% e 12% neste ano. Parte desta estratégia envolve aproveitar a oscilação da moeda norte-americana para ampliar exportações de peixes de cativeiro e uma campanha de incentivo ao consumo no País.De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, se essas duas estratégias surtirem efeito, o setor deve superar o incremento de 8% previsto inicialmente para 2018. Embora mais de 90% da produção, que somou 691,7 mil toneladas de peixes cultivados no ano passado (alta de 8% ante 2016, sendo 357,6 mil toneladas de tilápia), tenha como destino o mercado interno, aproveitar a oscilação do dólar pode contribuir para diminuir a oferta de peixes no em todo o País.“Esse mercado é pequeno porque o interno paga em torno de US$ 1 a mais que os importadores pelo filé. Porém, no cenário atual a diferença diminuiu e ficou mais atrativo exportar”, explica. “Essa variação do dólar foi rápida e algumas empresas tem contratos a cumprir no mercado interno. Mas a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex – Brasil) vai realizar uma ação em outubro para trazer novos compradores dos Estados Unidos ao País e isso pode compensar algumas perdas causadas pela greve”, afirma Medeiros.Segundo ele, a paralisação dos caminhoneiros, em maio, fez com que piscicultores de algumas regiões ficassem mais de um mês sem entregar peixes para compradores o que aumentou os estoques e pressionou os preços, especialmente em estados como Paraná (o principal produtor de peixes cultivados do País, com 112 mil toneladas no ano passado), São Paulo e Goiás. “Esperamos que no fim de setembro o mercado volte a se regular, uma vez que nos meses mais frios o consumo de peixes é menor.” O preço da tilápia caiu até 10% no oeste do Paraná e em São Paulo, diz Medeiros, para em torno de R$ 4,50 o quilo.Estímulo Para estimular as vendas, a Peixe Br deve realizar uma promoção nacional para escoar esse excedente entre os dias 1º e 15 de setembro. Atualmente, o consumo per capita no Brasil é de 9,5 quilos de peixe por habitante ao ano. “É uma ação que costuma dar bom resultado para o varejo e que neste ano é ainda mais importante porque o excedente está maior do que o habitual.” Ele ainda destaca que o tabelamento de fretes deve aumentar os custos com a ração dos animais. “Em muitas indústrias o impacto não foi significativo pois as empresas tinham estoques, mas a gente sabe que esses preços vão subir.” Ele acrescenta que isso deve levar a um aumento de preços ao consumidor. “O que a gente precisa saber é o quanto o consumidor pode absorver e o quanto vamos repassar – e como isso vai impactar as empresas – vai depender de como o mercado vai reagir.”Na avaliação do gerente de produtos para aquacultura da Guabi Nutrição e Saúde Animal, João Manoel Cordeiro Alves, o excesso de oferta também é resultado de um movimento de mercado. “Há dois anos as represas baixaram, o que fez com que faltassem peixes e o preço aumentasse, o que trouxe muitos investidores novos para o mercado, desequilibrando a oferta”, lembra.Para ele, o setor precisa de uma legislação que dê suporte ao aumento das áreas de cultivo. Desde a extinção do Ministério da Pesca e Aquicultura, em 2015, as dificuldades para regularização ambiental da pesca de cultivo aumentaram. “Há uma incerteza muito grande do ponto de vista legal.”Do ponto de vista da indústria, a perspectiva é positiva, diz Thiago De Luca, CEO da Frescatto Company, mesmo com toda a instabilidade econômica que o País vive. Para ele, o preço é o maior obstáculo ao aumento do consumo de pescados no Brasil, uma vez que o País ainda não é autossuficiente para atender a demanda de matéria-prima das indústrias. “Nos patamares atuais, em que temos a maior valorização do dólar dos últimos dois anos, a distância entre o custo do pescado e o custo das demais proteínas animais é enorme e, muitas vezes, torna o produto inacessível para boa parte dos consumidores.”De Luca, alerta que o tabelamento de frete nesses preços elevará a informalidade desse setor e fará com que o caminhoneiro autônomo e as pequenas empresas passem por problemas ainda maiores. “Essa medida criará mais um imposto “fantasma” a ser pago pelo consumidor final e incentivará um mercado paralelo que não gera renda ao País.”
DCI - 20/08/2018
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