segunda-feira, 17 de setembro, 2018

Dólar acelera vendas da soja que começou a ser plantada em MT

As vendas da safra 2018/19 de soja, que vinham caminhando a passos de tartaruga no Centro-Oeste, voltaram a ganhar ritmo com a forte desvalorização do real ante o dólar – que encostou nos R$ 4,20 nesta semana. E o momento para essa retomada é oportuno: com o fim do vazio sanitário, período em que o plantio é proibido para evitar a proliferação de pragas, começou no sábado a semeadura do grão em algumas regiões de Mato Grosso, que lidera a produção nacional. Apesar das chuvas irregulares previstas para a fase inicial dos trabalhos, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que a colheita alcançará 32,3 milhões de toneladas na temporada 2018/19, volume próximo ao do recorde de 2017/18 (32,5 milhões). As vendas antecipadas começaram um pouco mais cedo neste ano, em março, com a alta da soja brasileira gerada pela disputa comercial entre EUA e China. Apesar de início animador, a comercialização quase parou no Centro-Oeste após a paralisação dos caminhoneiros, em maio, que culminou no tabelamento dos fretes, elevando custos e gerando incertezas para o fechamento de novos contratos de transporte do grão. Mas na época da greve as previsões de mercado apontavam que o dólar ficaria em R$ 4 no fim deste ano, enquanto o último Boletim Focus do Banco Central sinalizou R$ 4,40. “Eu vendi 50% da minha produção antes da paralisação e mais 20% há cerca de 20 dias, por causa do dólar”, afirma Diego Dallasta, produtor de Canarana, município na região leste de Mato Grosso. Segundo os números mais atualizados do Imea, as vendas da safra 2018/19 chegaram a 28,2%, ou 9,10 milhões de toneladas da produção total estimada. Apenas entre 7 de agosto e 10 de setembro, foram comprometidas 2,2 milhões de toneladas. Entre junho e agosto, segundo os dados do Imea, foram fechados contratos para apenas 213 mil toneladas de soja. “As vendas voltaram a avançar com a definição de que a tabela vai prevalecer mesmo. Assim, parte da incerteza sumiu. E teve a disparada do dólar”, confirma Enilson Nogueira, analista da consultoria Céleres. Com relação à safra 2017/18, que terminou de ser colhida no primeiro semestre, o Imea calcula que as vendas em Mato Grosso chegaram a 93,5% do volume total estimado para o ciclo. Houve avanço de 3,4 pontos percentuais na comparação com o mês passado. Segundo a Safras & Mercado, as vendas da safra de soja 2018/19 em todo o país chegaram a 22,8% da colheita recorde projetada em 119,8 milhões de toneladas. Conforme a consultoria, a média dos últimos cinco anos para o período é de 25,8%. Do ciclo 2017/18, já foi vendida 89,4% da produção estimada 119,4 milhões de toneladas. Luiz Fernando Roque, analista da Safras, diz que as vendas antecipadas voltaram a ocorrer impulsionadas pelo avanço de operações de barter (troca de grãos por insumos). “Mas se não houvesse o problema dos fretes, esse movimento de troca teria sido antecipado”, avalia. A receita operacional soja do ciclo 2018/19 está estimada em R$ 3.628 por hectare, em média, de acordo com cálculos da Céleres, que considera que o dólar médio da safra 2018/19 ficará em R$ 3,79. A margem operacional média no país está prevista em R$ 1.191 por hectare, menor que os R$ 1.628 de 2017/18 em decorrência de aumento de custos com insumos e com o frete. “Os preços [da saca de soja] não mudaram muito, não. Antes da tabela pagavam R$ 70 a saca e agora pagam R$ 68”, conta o produtor de Canarana. Dallasta vende a sua produção principalmente para as tradings Cofco e Cargill. “O preço não está ruim, o mercado é que está retraído. Só agora que voltou a ter alguma liquidez”, afirma Dallasta. As tradings estavam evitando efetuar negócios com entrega futura, dada a dificuldade de se precificar o frete. Havia a expectativa de que a tabela perderia a validade após julgamento de recursos apresentados por entidades representativas do agronegócio no fim de agosto, o que não ocorreu. “Se o dólar ficar no patamar de R$ 4,10, já compensa pagar o frete mais caro, mas há uma insegurança de como ficarão as coisas se o real se valorizar”, destaca Nogueira, da Céleres. Segundo ele, há dúvidas se a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aceitará ajustes nos preços mínimos para baixo. A Lei 13.703, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, prevê que quando houver oscilação no preço do diesel superior a 10% em relação ao preço considerado nos cálculos, a ANTT terá que publicar outra resolução com novos pisos mínimos. Como um dos componentes da formação do preço do diesel é o dólar, a tendência é de queda do combustível quando houver alta do real em relação à moeda americana. Segundo análise do Imea, nos próximos meses o dólar tende a continuar sendo o principal vetor de negócios para a soja. Conforme o instituto, em agosto o valor médio de venda da safra 2018/19 foi de R$ 67,44 a saca de 60 quilos, alta de 3,70% em relação ao mês de julho.
Biodieselbr - 17/09/2018
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