quinta-feira, 21 de fevereiro, 2019

Dólar fecha em alta, com investidores avaliando proposta para a Previdência

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (20), numa sessão volátil, com os investidores avaliando a proposta do governo Bolsonaro para a reforma da Previdência, considerada pelo mercado importante para o crescimento econômico. Entenda a reforma ponto a ponto A moeda norte-americana subiu 0,49%, vendida a R$ 3,7332. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 3,6909, e na máxima, a R$ 3,7342. O dólar chegou a cair em relação ao real durante a manhã. Mas, conforme os detalhes sobre a proposta do governo para a reforma da Previdência eram esmiuçados pelos técnicos da equipe econômica em uma coletiva de imprensa, a moeda mudou de rumo. Além de avaliar os detalhes da proposta, investidores buscam pistas sobre a capacidade do governo em conseguir aprová-la no Congresso. Em nota, o economista-chefe da Necton, André Perfeito, comentou que a reação nesta quarta "revela o caráter ambíguo das opiniões de mercado sobre a capacitação política do governo". "O primeiro grande teste será se a reforma manterá a sua íntegra no Congresso ou se irão ocorrer mudanças", comentou, também em nota, o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo. "Quanto mais densa for a proposta, mais tempo ficará nas comissões e mais tempo levará até chegar à votação no Congresso", avaliou à Reuters o sócio-fundador do grupo Laatus, Jefferson Laatus. A proposta de reforma A reforma da Previdência é considerada prioridade pela equipe econômica do governo para tentar reequilibrar as contas públicas nos próximos anos. O mercado financeiro também avalia, de maneira geral, que as mudanças no sistema de aposentadorias e pensões é essencial para a retomada do crescimento econômico robusto. O texto foi entregue pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. A ideia do governo, ao reformar a Previdência, é aumentar as receitas, mas também cortar despesas - via limitação de benefícios. Com as medidas propostas, o governo quer economizar R$ 1,16 trilhão em 10 anos. "Isso traria um salto de credibilidade e impactaria muito o governo. Com confiança, entraria ainda mais capital externo, os empresários investiriam e contratariam mais. Tudo isso aceleraria a economia e aumentaria a arrecadação de impostos", disse Bergallo. O valor estimado de economia para as contas públicas representa cerca de 1/3 do déficit somente do INSS (sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado) previsto para o período, que deve somar R$ 3,1 trilhões no mesmo período. Ainda falta incluir nesse cálculo o rombo dos servidores públicos e militares, não detalhado pelo governo. Crise política A agência Reuters destacou que o envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso ocorre em um momento conturbado para o Planalto, que ainda vê respingos da crise política envolvendo o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Na terça-feira, o governo sofreu sua primeira derrota na Câmara após parlamentares barrarem por uma larga margem o decreto presidencial que ampliava o escopo de pessoas que poderiam determinar sigilo sobre dados e informações do governo. "Embora não seja uma matéria de alta relevância, mostra um possível recado da Casa ao governo, que ainda segue em busca de alguma tranquilidade dentro da base aliada para que consiga tocar sua agenda", afirmou a corretora H. Commcor em nota. Também na véspera, áudios divulgados pela revista Veja mostraram que Bebianno trocou mensagens com Bolsonaro, contrariando as declarações do presidente e de seu filho. Cenário externo No exterior, o mercado monitorou a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) nesta tarde e acompanhou as negociações comerciais entre EUA e China. O BC vendeu 10,33 mil swaps cambiais tradicionais, equivalente à venda futura de dólares. Assim rolou US$ 7,231 bilhões dos US$ 9,811 bilhões que vencem em março.
G1 - 20/02/2019
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