quarta-feira, 27 de fevereiro, 2019

Plataforma de streaming cai no gosto do brasileiro como alternativa à TV

Antes consideradas como alternativas pontuais frente aos custos e modelos de conteúdos das operadoras de TV tradicionais, as plataformas de streaming tornam-se cada vez mais presentes nos lares brasileiros – sobretudo na classe C. A migração é impulsionada principalmente pela diferença de preços e liberdade para montar a programação. “A percepção é de que esse movimento tem acontecido de forma intensa no Brasil nos últimos anos. Dessa forma, vemos o declínio dessa indústria no território nacional. No ano passado, o mercado de TV paga teve um aumento de 3,9% no número de cancelamentos em relação ao ano anterior”, afirmou o vice-presidente regional da empresa de pesquisa de mercado Amdocs, Renato Osato.De acordo com um balanço realizado pela empresa sobre a ascensão recente dos serviços de streaming – como por exemplo a Netflix –, no Brasil, a cada cancelamento de assinaturas de TV paga foram realizadas três novas contas nessas plataformas. Segundo a pesquisa, cerca de 8% dos lares brasileiros já utilizam esse tipo de serviço. “Muitos consumidores pertencentes à classe C migraram para as plataformas de streaming no momento de crise econômica. Mas vemos que esse movimento agora está mais ligado à uma mudança no perfil de consumo do que propriamente ligada a fatores de preço”, afirmou Osato. Para ele, alguns fatores que podem explicar tal aderência às plataformas estão ligados à variedade de conteúdos e “desejo por parte do assinante” por conteúdo exclusivo. “No caso dos consumidores brasileiros, existe uma tendência por parte dos usuários para ter acesso às cenas extras de séries, por exemplo, e conteúdos adicionais no geral”, declarou o executivo. Segundo ele, neste caso, os assinantes estão dispostos a arcar com custos extras de mensalidade para assistir o conteúdo exclusivo. Nesse sentido, de acordo com a pesquisa, cerca de 77% dos brasileiros que utilizam tanto serviços da TV paga como de streaming estariam dispostos a pagar para ter acesso antecipado a determinados tipos de conteúdo. “Quanto mais novo o usuário, maior a tendência para a utilização de várias plataformas. Existe um componente emotivo entre os usuários em determinados filmes ou séries”, afirmou ele. Além disso, em torno de 66% dos entrevistados afirmaram que, no “pacote de canais perfeito”, gostariam de ter um programa de conteúdo noticioso. Para o sócio-diretor da consultoria GS&Up, Caio Camargo, em virtude do crescimento recente de tais plataformas, grandes players do mercado como Amazon, HBO e Netflix estão estabelecendo novas parcerias com a finalidade de criar canais próprios dentro das empresas tradicionais de TV paga. “Isso deve fazer com que os serviços tanto de assinatura tradicional quanto de streaming se adaptem em valores e conteúdos encontrando um caminho mais alinhado com os consumidores”, argumentou Camargo. Um dos exemplos de parceria entre as duas pontas foi o acordo firmado entre a operadora Vivo e o serviço de streaming Amazon Prime. A aliança entre as duas empresas promete – na condição de contratar alguns dos pacotes da operadora – implica em três meses de assinatura grátis no serviço. Serviço brasileiro Fundada no Brasil, em 2016, a plataforma Looke aposta na diversificação do preços e na possibilidade de alugar filmes sem que o usuário precise assinar o serviço mensal. “A maioria dos usuários utiliza o pacote médio, de R$ 25, que possibilita o acesso de três telas ao mesmo tempo. Atualmente temos 480 mil usuários ativos, mas acreditamos que esse crescimento deva se dar de forma orgânica nos centros urbanos e classes sociais”, afirmou o diretor de conteúdo da Looke, Luiza Bannitz.
DCI - 27/02/2019
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