sexta-feira, 22 de março, 2019

Com mais de 50% de reajuste, preço do feijão carioquinha chega a quase R$ 10 em Macapá

O quilo do tradicional feijão carioquinha ou rajado, como também é chamado, pode ser encontrado por até quase R$ 10 em supermercados de Macapá. O preço salgado tem feito consumidores evitarem levar o produto para casa. O aumento, segundo um empresário do ramo do comércio, tem relação com o clima, queda na safra e dificuldades de importação. A previsão é que o valor volte a equilibrar a partir de abril. Quem é acostumado a ter na mesa, diariamente, a tradicional mistura "feijão com arroz", diz que o momento é de garantir a refeição completa apenas aos finais de semana, pois é necessário economizar. É o caso do atendente de caixa Cristian dos Santos, de 32 anos. Para ele o feijão virou "comida de rico". "O preço aumentou bastante. Antes a gente encontrava variedade por até R$ 3. Não está mas dando para comer feijão todo dia, virou comida de rico. Atualmente só comemos aos fins de semana", disse o pai, que mora junto com a mulher e três filhos pequenos. Ao contrário de outras variedades, o feijão carioquinha é originalmente brasileiro, surgiu no interior de São Paulo e foi a coloração marrom-rajada do grão, semelhante a uma raça de porco que era chamada de carioca, que deu o nome ao produto. Erik Rocha, empresário e diretor técnico do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio do Amapá (IPDC), explica que o salto de quase 52% em fevereiro (o maior desde 2012) no preço do feijão carioquinha aconteceu por diversos fatores, entre eles o clima chuvoso nas regiões produtoras, a queda do poder aquisitivo da população e dificuldades para a importação. "São vários fatores, começando pela queda no poder de compra do consumidor, que faz a oferta ficar maior do que a demanda. Soma-se a isso a falta de chuvas nas regiões de maior produção [Paraná, São Paulo e Minas Gerais], junto com a baixa opção de países para importar o produto. Tudo isso torna impossível o mercado manter os preços baixos", explica o especialista. Além desses fatores, a especulação financeira de grandes cooperativas que compram o excedente da safra e com isso regulam o preço para cima, também ajuda a explicar os preços altos. Ainda de acordo com o especialista, tem sido comum, no início do ano, o preço do feijão carioquinha elevar. Porém, o aumento nos últimos meses foi bem mais alto que o esperado. "Se a gente pegar um histórico dos últimos cinco anos, percebemos que nesse período sempre acontece esse aumento. Mas nesse ano realmente aumentou bem mais do que o esperado. Em alguns supermercados de Macapá o preço chegou a ficar R$ 10", disse Rocha. O trabalhador autônomo Domingos Oliveira, de 53 anos, ao ir ao supermercado nem mesmo para nas prateleiras de feijão. Segundo ele, não há mais condições de comprar o alimento, símbolo da cultura brasileira. "Em uma casa onde mora eu e mais oito pessoas, durante a semana é impossível ter feijão na mesa. Com o preço alto do jeito que está, o máximo que consigo comer é duas vezes no mês", relatou Oliveira, enquanto escolhe arroz para fazer os salgadinhos que vende. Para o alívio de Domingos Oliveira, o preço do carioquinha deve voltar a diminuir a partir do início de abril, por conta da colheita da nova safra, segundo Rocha. "Uma nova colheita vai começar agora no final de março e começo de abril, e a tendência é que os preços voltem aos patamares menores, com um nível de oferta maior desse produto. A gente já vai perceber no início do mês os preços reagindo para baixo", finalizou o diretor do IPDC.
G1 - 22/03/2019
Ver esta noticia em: english espanhol
Outras noticias
DATAMARK LTDA. © Copyright 1998-2019 ®All rights reserved.Av. Brig. Faria Lima,1993 3º andar 01452-001 São Paulo/SP