sexta-feira, 12 de julho, 2019

Erva-mate de São Mateus do Sul está na lista de produtos protegidos no acordo entre Mercosul e União Europeia

A Erva-mate de São Mateus do Sul, na região dos Campos Gerais do Paraná, foi incluída na lista dos 36 produtos brasileiros protegidos no acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A medida de proteção impede a reprodução de produtos típicos em outras localidades. Por exemplo, o único queijo da Canastra que poderá ser comercializado em países da União Europeia, é o queijo produzido na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O mesmo vale para produtos europeus que serão comercializados no Mercosul. O acordo também barra expressões como 'tipo', 'estilo' e 'imitação' na exportação. Para o presidente da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus (IG-Mathe), Heliton Lugarini, a proteção da erva-mate no acordo valoriza o produto e facilita o acesso a novos mercados. O texto do acordo ainda deve passar por revisões e depende da aprovação de todos os países envolvidos antes de entrar em vigor. Acordo Mercosul e União Europeia: quais os próximos passos A região recebeu o selo de indicação geográfica para a produção da erva-mate em 2017. Para conseguirem o selo, os produtores criaram uma associação. O processo para aprovação demorou cerca de dois anos e foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). De acordo com a IG-Mathe, cerca de 4 mil produtores estão envolvidos com a erva-mate na região de São Mateus do Sul. Em 2018, a produção chegou a 116 mil kg de folha. No entanto, nem todo o volume produzido foi vendido com selo de indicação geográfica. A expectativa para a safra deste ano é de crescimento de 22%, segundo a associação. Ainda de acordo com o presidente da IG-Mathe, a proteção dentro de um acordo representa o resultado dos anos de investimento na região. "Nós estamos dando uma resposta para aqueles produtores que abraçaram o projeto, que se capacitaram com boas práticas agrícolas. Às indústrias que foram atrás das boas práticas de fabricação, e fazer com que a gente produza, cultive e processe um produto de qualidade", contou Lugarini. Produtores na espera Não é qualquer erva-mate produzida na região de São Mateus do Sul que recebe o selo de indicação geográfica. Para isso, a produção precisa seguir uma série de regras. A genética da erva, por exemplo, precisa ser da cidade ou de outros cinco municípios da região: Rio Azul, São João do Triunfo, Antônio Olinto, Mallet e Rebouças. A produção também precisa ser sombreada com mata nativa. O empresário Alisson Staniszewski cresceu vendo a erva-mate se multiplicar na região. A produção na família dele começou com o bisavô. Hoje são 18 alqueires destinados a erva-mate. Para ele, o acordo é visto como oportunidade. "Falando como empresário e produtor de erva-mate, acredito ser uma grande oportunidade de reconhecimento do nosso trabalho diferenciado", disse. A opinião é divida pelo agrônomo Fenando Toppel. Ele está há mais de três anos no ramo, apesar de a produção de erva-mate estar desde as últimas gerações presente na família. Membro da associação, ele conta que a expectativa é alta pela diferenciação do produto pelas devido às boas práticas agrícolas. "Com certeza vai alavancar as vendas para a próxima safra. Na questão da visibilidade, vai facilitar expor um produto valorizado. É uma porta para mais um mercado, a expectativa é boa", relata o agrônomo. Acordo com a União Europeia A Comissão Europeia informou que 220 produtos do Mercosul foram protegidos pelo acordo. Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores disse que 335 indicações geográficas europeias serão reconhecidas pelo bloco. Dos 36 produtos brasileiros protegidos, seis são paranaenses, sendo eles: Café de Norte Pioneiro do Paraná Erva-Mate de São Mateus do Sul Goiaba de Carlópolis Mel de Ortigueira Mel do Oeste do Paraná Uvas de Marialva
G1 - 12/07/2019
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