quinta-feira, 18 de julho, 2013

Empresas brasileiras invadem mercado de café em cápsulas

De olho no crescimento do consumo de café em dose única e tendo o vencimento da patente da tecnologia de cápsula no horizonte, empresas brasileiras estão invadindo um segmento ainda dominado pela Nespresso, da Nestlé.
Na próxima semana, a paranaense Lucca Cafés Especiais
inaugura, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, a primeira planta para produção de café em cápsula do país. A unidade terá capacidade de produzir 1 milhão de cápsulas por mês. “Investimos cerca de R$ 2 milhões, de recursos próprios”, conta Luiz Otávio Linhares, sócio da empresa. Antes disso, a Lucca chegou a preencher, manualmente, mais de cinco mil cápsulas por mês. O produto fabricado pela paranaense é compatível com o sistema da Nespresso. “Não somos concorrentes porque trabalhamos com produto deorigem, enãoblend, queéa mistura de grãos”, diz. O equipamento —patente da Lucca — foi desenvolvido com tecnologia local. “Faz todo sentido essa estratégia das empresas de se afastar ao máximo do potencial risco de eventual violação de patentes”, observa Andreia de Andrade Gomes, sócia da área de propriedade intelectual da Tozzini Freire Advogados, lembrando que uma patente cai em domínio público vinte anos contados após da data de depósito da patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), aqui no Brasil. Tradicional processador mineiro de café, o grupo Três Corações entra no mercado de cápsulas em setembro, através de uma joint
venture com a italiana Caffita.

“Nos próximos três anos serão investidos R$ 100 milhões para a produção de cápsulas e construção de uma fábrica própria, em 2015”, conta a diretora de Marketing do Grupo, Paula Castellan. No entanto, em um primeiro momento, a produção será feita na Itália. “Mas o café será brasileiro”, observa. “Para evitar qualquer estranhamento, por parte do consumidor, optamos por enviar a matéria-prima, bancando os custos da operação”, conta. O grupo também está investindo em uma máquina própria, não compatível com o sistema Nespresso. “Acreditamos que temos mais a oferecer, em termos de valor agregado, do que simplesmente mais uma linha de café em cápsulas para o concorrente”, diz.

A também mineira Utam pesquisou durante dois anos a melhor forma de entrar no mercado. Há um ano, fechou parceria com a portuguesa Kaffa Caffè, que produz as cápsulas (compatíveis com o sistema Nespresso) que invadiram o mercado brasileiro em março. A previsão da Utam é importar 4 milhões de unidades em 2013. “Ainda neste ano, a Kaffa irá montar uma fábrica em Ribeirão Preto (SP), o que deve estreitar ainda mais nossa parceria”, anuncia Ana Carolina Soares de Carvalho, diretora da Utam. “O maquinário chega de Portugal até o final do ano começamos a produzir as cápsulas no ano
que vem”, explica. Antes disso, em agosto, a Utam lança sua pró- pria linha de cafeteiras.

Segundo dados da consultoria Euro monitor, o número de máquinas de café mono dose passou de 100 mil em 2011 para 146 mil no ano passado, o que explica em parte o crescimento do consumo do café em dose única no Brasil. De acordo com a consultoria, de 2008 para 2012, as vendas do café
em cápsulas passaram de R$ 24,5 milhões em 2008 para R$ 206,4 milhões em 2012, por aqui.
Brasil Econômico -17/07/2013
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